- Padre, perdi R$ 100.000,00 na bolsa e não sei que mais o que fazer.
O padre pensou um pouco, analisou a situação e falou:
- Erga a mão para o céu e agradeça. Você é uma felizarda.

Guilherme Palma
Em tempo; cedo ou tarde a banca vai ganhar. Sempre.
Você vai ter tempo de ler eu reclamar o tempo todo, sobre nada e tudo, tudo de uma vez. Eu sou um melodramático, neurótico até os ossos. Você não vai ter dúvidas quanto a isso. Juro dizer a verdade, embora tudo aqui seja sem valor. Os textos assinados com meu nome são de minha autoria. Todos os direitos reservados.

Guilherme Palma
Em tempo; cedo ou tarde a banca vai ganhar. Sempre.

Começa o segundo ato. Charlatans and Saints
East Jesus Nowhere
Musica boa. Ritmos quebrados, guitarras pesadas e gritos de Hey. Quem conhece Queens of Stone Age vai fazer a associação imediata. A letra fala de religião. “Jesus a leste de lugar nenhum”. A fé esta perdida em um mundo de terrorismo. E muito mais para o personagem Christian, que como o nome já diz é cristão.
Peacemaker
Na hora nos lembramos de Misery do álbum Warning, nessa canção com violão acelerado num ritmo quase Mariachi. Tem um toque de humor que talvez fuja um pouco do conteúdo do disco, mas é bom para dar uma abranda no caos que os personagens vivem.
Last of the American Girls
Provavelmente a mais pop do disco. Começa com baixo, bateria e voz. Lembra Uptigh do álbum Nimrod. Depois que entra guitarras vem o estilo Power pop que definiu a banda Weezer. O Green Day já tinha flertado com esses ritmos em Extraordinary Girl e She’s a Rebel. O resultado em todas elas ficou ótimo.
Murder City
Sem muito a dizer. Hardcore típico do Green Day com três acordes. Boa de cantar, refrão que fica na cabeça. Letra forte também que fala sobre perseverar. “Desesperado, mas não sem esperança”.
?Viva La Gloria? (Little Girl)
Muito criativa. Começa com piano e depois voz, parecendo musica de cabaré. E quando entram guitarra e bateria nos remete a Blood, Sex and Booze do álbum Warning.
Restless Heart Syndrome
Para encerrar o segundo ato, mais uma balada. Muito bonita, mas... Lembra demais Boulevard of Broken Dreams, do disco anterior. Igual no violão, estilo de cantar, marcação de tempo, nas batidas e solos de guitarras também. Podiam tentar fazer uma balada diferente.
Começa o 3º e melhor ato do disco. Horseshoes and Handgrenades. É de tirar o fôlego.
Horseshoes and Handgrenades
Mais uma bordoada. Hardcore dos bons. Já chega gritando “I'm not fucking around”, ou seja, não esta para brincadeira. Referencia aos conservadores americanos – leia-se Bush novamente. “Ferraduras (caipiras) e granadas de mão (política de guerra)”
The Static Age
Para mim a mais empolgante do disco. Acho que todo mundo na hora vai reconhecer o estilo. Ficaria bem à vontade nos primeiros discos da banda. Deliciosamente boa para cantar. Refrão gruda na cabeça e tem um riff de guitarra muito bom, que permeia a canção inteira.
21 Guns
A hora que começa essa balada parece que vai ficar na mesmice, mas na quando entram as guitarras tem-se uma agradável surpresa. Estilo Radiohead. Billie Joe cantando com falsetes que lembram Tom Yorke e as guitarras pausadas e fortes. Acredito que Billie nunca cantou tão bem. Os back’in vocais de Mike Dirnt e Jason White são suaves criando um equilíbrio com as guitarras pesadas que soa muito bem. Na minha opinião essa musica é a mais bonita que a banda já fez.
American Eulogy
Dividida em duas partes. Introdução igual ao começo do disco. Voz cantada em rádio AM com estática daí vem:
A - Mass Hysteria
Mais uma de estilo inconfundível do Green Day. Acelerada e marcante. Muito boa. Lembra o Green Day de antigamente. No final fica lenta para a platéia cantar junto no estádio e emenda com...
B - Modern World
Segunda parte. Também muito boa com eles gritando que não querem viver em um mundo moderno. Apesar de Mike Dirnt cantar uma parte que lembra muito Joe Strummer do Clash, não chega a comprometer a música.
See The Light
Perfeita para fechar o album e uma das melhores para cantar junto. Encerra o pacote com um fio de esperança. “Vendo a luz”. Ou seja, Bush é passado. Começa com o mesmo violão de 21st Century Breakdown e depois que entra guitarra bateria e voz fica caracterizado o estilo de Jesus of Suburbia. E o álbum encerra suave do mesmo jeito que começou. Batidas no violão.
Veredicto:
Nota 09.
Reforçando que não sou perito musical, toco um violão e guitarra muito porcamente. Por isso, correções são bem vindas. Inclusive em traduções e interpretações.
Guilherme Palma
Influencias e preferências a parte, vamos falar do disco. O Green Day conseguiu incrivelmente mesclar belas baladas, canções com guitarras pesadas, Power pop, e hardcore. O resultado final ficou excelente. Ficou tudo muito coeso, musicas ligadas entre si e a intercalação entre as aceleradas e lentas é um ponto forte. O disco é melhor que o antecessor American Idiot. Eles estão muito mais seguros.
Tem mais solos e riffs de guitarra que nos trabalhos anteriores. As linhas de baixo de Mike Dirnt continuam ótimas e acredito que Tre Cool esta cada vez melhor na bateria. Se não me engano ele foi eleito o 98º melhor baterista do mundo. Billie Joe é um grande guitarrista e hoje acredito que ele atingiu o equilíbrio de sua voz. Ele canta sem forçar ou fazer força. Consegue explorar tons mais altos. E alterna muito bem entre graves e agudos. Hoje se pode dizer que é um cantor e não um vocalista apenas. Não é nenhum Bruce Springsteen, mas é competente e eficaz.
A segunda guitarra de Jason White soa bem, com solos e riffs que ficam na cabeça. No disco tem momentos ótimos de piano, bem inseridos no contexto e outros instrumentos como violino e violoncelo. Tudo muito bem arranjado e produzido. A harmonia vocal da banda é muito boa. A segunda voz e back’in vocals estão mais elaboradas e variadas do que em American Idiot. Em alguns momentos assemelha-se a Beatles em outros atingem a suavidade dos Beach Boys.
No quesito letras também ouve uma evolução. O álbum conta a história do casal Christian e Gloria numa fuga alucinada tentando sobreviver a uma America pós-Bush. São letras fortes que falam até de religião. Só que para o ouvinte que quiser traduzir as letras já aviso; não é tudo tão claro como American Idiot. É necessária uma interpretação.
Eles atingiram um patamar difícil de chegar e que lhes garante mais tranqüilidade para o futuro. Hoje eles conservam fãs da época Dookie, arrebataram alguns que criticavam e o principal; conquistaram a molecada de 16 anos. Para uma banda que esta quase entrando nos 40 anos de idade é um triunfo. No futuro, e eles tem um futuro, podem tomar qualquer direção, trabalhando com uma variedade enorme de estilos.
Nos próximos trabalhos talvez eles devam voltar a colocar um pouco mais de humor nas músicas, que já foi a marca registrada da banda, pois essa história de política vindo deles não engulo muito. Apesar de eles terem acertado em cheio nesses dois últimos álbuns, no futuro pode soar meio piegas e cansativo. O próprio U2 já se desgastou um pouco com isso.
Minha nota para o CD é NOVE. Perai, elogiar tanto para dar nota nove? Eu explico. O ultimo que considerei 10 foi Mellon Collie And The Infinite Sadness do Smashing Pumpkins, lançado em 1995 para se ter uma idéia. O disco tem que ser irretocável perfeito nos mínimos detalhes. Fanatismo não pode ser um critério para qualificar. No próximo post vou esmiuçar o álbum faixa a faixa e aí vais entender o porquê desta nota.
Outra coisa; quer baixar o disco, baixe. Onde achar melhor, mas apenas para conhecimento. Depois compre o CD. Compre por valer a pena. Compre para incentivar uma banda que ainda tem criatividade para fazer discos excelentes. Compre porque vai marcar essa década. No começo pode parecer um pouco com American Idiot, mas depois de mais algumas audições começa a soar mais natural e terá uma noção da grandiosidade que é 21st Century Breakdown.
Se você acabou de chegar no planeta e ainda não ouviu nada do disco, aqui tem o 1º single. Know Your Enemy.
Guilherme Palma